O BICHO GAMBOZINO
A oficina O Bicho Gambozino apresenta-se como um exercício/jogo para a construção de seres e personagens que surgem do nosso imaginário, contribuindo para a criação de uma zoologia fantástica ou de um género de bestiário ficcional.
Faz o cruzamento entre o natural e o imaginado, desenvolvendo um diálogo artístico, que culmina numa paisagem reimaginada, através das artes visuais e sonoras.
Um espaço de ateliê dinâmico, criativo e pedagógico, que pretende contribuir para o aprofundar da criatividade e para a sensibilização e consciencialização da importância da preservação de sistemas ecológicos saudáveis, articulando a ecologia com a prática artística.
A oficina compreende dois momentos:
– Construção de Gambozinos com recurso a diferentes materiais que resultam fundamentalmente de recolhas realizadas em contexto natural, como sementes, grãos, madeiras, raízes, pinhas e pedras, que serão combinados com elementos de apoio à construção, como cola de madeira, fios, fitas e arames.
– Ensemble de Gambozinos compreende um conjunto de objetos de madeira de maior escala, sonorizados e amplificados, que são tocados pelo público, de modo a explorarem os gambozinos como um conjunto diverso e reinventado de instrumentos musicais. Ao mesmo tempo que a biodiversidade é ameaçada pela atual destruição dos ecossistemas, paradoxalmente continuam a ser identificadas e classificadas espécies, algumas que nunca tinham sido observadas e outras que voltam a surgir por via da regeneração ecológica de alguns contextos específicos.

“Segundo um mito islâmico, Kuyata é um grande touro dotado de quatro mil olhos, quatro mil orelhas, quatro mil narizes, quatro mil bocas, quatro mil línguas e quatro mil pés. Para passar de um olho a outro ou de uma orelha a outra são precisos quinhentos anos. Kuyata é alimentado pelo peixe Bahamut; sobre o lombo há uma rocha de rubis, sobre a rocha um anjo e sobre o anjo a Terra.”
KUYATA, Jorge Luis Borges, O Livro dos Seres Imaginários
Com esta oficina pretende-se estimular a imaginação e a criatividade através da construção de outros seres possíveis de habitar o nosso mundo, contribuindo ainda para a valorização e preservação dos ecossistemas naturais e para a co-responsabilização dos desafios da biodiversidade.




