LUSCO FUSCO
Lusco-Fusco é uma atividade que combina a prática em contexto de oficina e um teatro de sombras.
É desenhada para crianças e famílias, e divide-se em quatro etapas que são desenvolvidas de forma dinâmica e em grupo.
Partimos de uma história que é levemente desvendada onde são colocadas algumas perguntas que nos podem ajudar a construir elementos para o nosso teatro de sombras. Que personagens poderão fazer parte desta história? Como pode ser o cenário onde acontece? Onde estão estes personagens e para onde vão?
Construída a base da narrativa passamos à segunda etapa, a construção das marionetas e dos restantes elementos que se vão movimentar no espaço cénico. É através do desenho em cartolina, do agregar de elementos naturais e do recorte que vamos poder dar corpo às sombras.
E logo de seguida (etapa terceira) preparamos a tela de projeção recorrendo à pigmentação de tecido branco com folhas e flores frescas – técnica de estampagem tipo prensa. Este momento da estampagem é rítmico onde o som dos martelos de madeira que esmagam as folhas e flores para a sua imagem e cores ser transferida para o tecido, é a banda sonora do movimento e da energia de todos. Os participantes adoram esta técnica, é uma poética catarse que acontece mesmo antes do último momento da oficina.
Com a tela pronta e esticada testamos o posicionamento da luz e a projeção das sombras, para no final acontecer o teatro, com as marionetas e o cenário construído em conjunto durante a oficina a serem iluminados e sombreados por um projetor de luz e, acompanhadas por uma sonoplastia vibrante. Agora os participantes ocupam o lugar de espetadores e assistem a uma nova forma de dar corpo à história inicial.

“O teatro de sombras indiano, de nome Wayang Kulit, tornou-se popular a partir do reinado de Vikramaditya (375-414). As sombras de cartão ou couro (…) são desenhadas de perfil e manipuladas (…). Alguns destes teatros itinerantes representavam-se nas festas religiosas, como rituais de fertilidade da terra ou curas de doenças. Os manipuladores recitam e cantam, sob a luz trémula de lamparinas a óleo, ao longo de espetáculos que duram vários dias. Os temas são essencialmente religiosos e mitológicos, destinados a provocar emoção através da harmonia entre o prazer estético e a intensidade do drama épico (…). “
SOLMER, Antonino – Manual de Teatro. Lisboa : Cadernos ContraCena, Temas de Debates, Lisboa 3ª edição, 2003
A construção e o assistir de um espetáculo é aqui a expressão do coletivo, das suas ideias e capacidades, resultando num irrepetível momento de aprendizagem, observação e realização.
Com esta oficina pretendemos estimular a imaginação e a criatividade das crianças através da criação de diferentes objetos que constituem parte do universo do teatro e, simultaneamente sensibilizar para a importância da preservação de sistemas ecológicos saudáveis, estreitando relações entre a ecologia e a prática artística.





